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Curiocidade
Marcelo Duarte
ACHADOS PAULISTANOS
Doce de berinjela em calda Casa Santa Luzia; Alameda Lorena, 1.471, Jardins; 3897-5000
:: A Casa Santa Luzia começou como uma simples loja de secos e molhados, em 1926. Hoje, o empório sofisticou-se e vende produtos de várias partes do mundo, como este doce de berinjela em calda.
O pote de 453g vem da Grécia e custa R$ 23,50.
Sorveteria Alaska 100 anos com a bola toda
Mais antiga sorveteria em funcionamento da cidade, a Alaska festeja seu centenário este ano. A casa foi inaugurada em 10 de novembro de 1910, por um imigrante italiano que morava no Brás. Depois de 20 anos, o primeiro proprietário vendeu o negócio para outra família de italianos, que, por sua vez, passou a Alaska para duas árabes. A sorveteria ainda pertenceu a mais uma família italiana antes de, finalmente, passar para as mãos do português Lino Seabra e do moçambicano Alberto Mota. Hoje, a Alaska é mantida somente pelo português Lino, 82 anos, e atende à clientela fiel no mesmo endereço (Rua Dr. Rafael de Barros, 70; Paraíso / 3889-8676) desde 1968. Lino, que chegou ao Brasil em 1947, aos 16 anos, toma sorvete todos os dias para testar a qualidade do produto. Seu sabor favorito é o crocante, mas os campeões de vendas continuam sendo os onipresentes chocolate, creme e morango, e também o tradicional damasco. Dos 36 sabores do cardápio da Alaska, Lino só confessa não gostar de um: minsk, mantido na casa por, segundo ele, “agradar muito à colônia árabe”. As cassatas já estavam no cardápio quando Lino comprou a Alaska. O bolo recheado com sorvete está disponível em seis tamanhos, sendo que o maior deles custa R$ 120. Durante as festas de final de ano, chegam a ser vendidas 600 cassatas. Outra grande atração do estabelecimento é a taça Gigante Alaska: 1,5 quilo de sorvete de quatro sabores, com pedaços de pêssego, cerejas e cobertura, vendido a R$ 55. A Gigante também existia antes da chegada de Lino, mas era bem menor: “Aí eu pensei: já que ela é gigante, vamos fazê-la gigante de verdade!”, lembra ele.
Endereço curioso Novinho em folha. Ou folhas
Luiz Fernando Machado já viajou para a Grécia especialmente para restaurar 40 mil livros da biblioteca de um conde que morava na ilha de Corfu. Além de colecionadores pitorescos assim, amantes da literatura e muitos desastrados de plantão também fazem parte da clientela que recorre aos serviços de encadernação e restauração de livros oferecidos pelo Atelier Luiz Fernando Machado (Rua Natingui, 756, Vila Madalena; 3031-7895).
Ao chegar ao ateliê, o objeto é submetido a um diagnóstico. “Algumas pessoas querem preservar o livro da forma mais original possível”, conta o restaurador. “Outras querem mudar ou refazer a capa. A gente estuda o que o cliente quer e vê o que é possível fazer”. Nascido na cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, Luiz, 46 anos, começou no ramo por acaso. Em 1986, uma reportagem de jornal sobre um curso de restauração ministrado por portugueses chamou a atenção do então estudante de letras (grego e latim) na USP. Depois, ele conheceu a técnica da marmorização de papel e passou a criar artigos para papelaria. Hoje, 20 pessoas trabalham no ateliê, inaugurado em 2001 e instalado num galpão de 300 m².
Moleskines Genéricos
Um dos carros-chefes do Atelier Luiz Fernando Machado são as versões “genéricas” dos cadernos conhecidos como Moleskines. Reproduzidos de maneira fiel ou personalizado ao gosto do freguês, o caderno virou febre entre os mais moderninhos. O ateliê chega a vender 2 mil unidades todos os meses. O maior, no formato 14 cm x18 cm e com 160 páginas, custa R$ 48.
Virada Cultural Quem sabe faz ao vivo
Durante a Virada Cultural, o CineSesc (Rua Augusta, 2.075, Cerqueira César; 3087-0500) vai exibir três sessões do primeiro longa-metragem produzido no formato “cinema vivo”. A ideia do projeto, iniciado em 2009, é encenar, filmar, produzir e editar o longa ao mesmo tempo em que ele é exibido para a plateia dentro do cinema. Idealizado pelo cineasta Alexandre Carvalho, Fluídos usa três câmeras para mostrar o cotidiano de três relacionamentos: o jovem casal movido pelo fetiche de filmar suas relações sexuais em público pelo celular, a mulher madura e sua amizade improvável com a professora transexual, e a história do rapaz exposto pela produtora de um programa de TV sensacionalista. “A gente não tem segunda chance”, explica Alexandre. “Do jeito que é filmado, vai para a tela”. Depois de captadas, as cenas são escolhidas e cortadas na hora, por ele mesmo, numa ilha de edição improvisada no saguão externo do cinema. Os mais curiosos podem acompanhar a edição e até interagir nas filmagens como “figurantes involuntários”. Todas as cenas serão gravadas pela equipe de 30 pessoas nas imediações do cinema, no quarteirão da Rua Augusta, localizado entre as alamedas Itu e Jaú. A primeira sessão ocorre hoje, às 18h, seguida por outras duas amanhã, às 2h e às 15h. “A adrenalina é grande, pois eu nunca sei como o filme vai acabar”, diz Alexandre.
Disc-jóqueis Aulas de música eletrônica
Rodrigo Campos tinha 14 anos quando se apaixonou pela música eletrônica. Por ela, aposentou e vendeu sua bateria, comprou um toca-discos profissional e aprendeu quase tudo sozinho. Pouco tempo depois, ainda menor de idade, era escondido no banheiro pelos donos das boates em que trabalhava como DJ residente quando aparecia algum fiscal. Em 2004, Rodrigo abriu as portas do Instituto de Música Eletrônica Dub Music (Rua Rafael de Barros, 593, Paraíso / 3057-4103). Na época, já um profissional reconhecido, vendeu o carro e construiu o Instituto no antigo imóvel que servia de consultório médico para o pai. Hoje, aos 38 anos, ao lado de oito professores, ajuda a formar fileiras dos novos DJs que animam as baladas de São Paulo.
Corinthians Na alegria e na tristeza
“Perdemos. Mas somos corintianos. Sofredores. E se tem uma coisa que o sofrimento ensinou pra gente foi que ele tem de durar pouco. Depois da derrota, sempre vem um ponto final. Ponto. No instante seguinte, começa uma nova fase. Outra história. Um novo momento pra gente reaprender como se grita, canta, clama. Como se cobra, pede, exige. E que, acima de tudo, como se ama o Corinthians”. No último dia 6, a Nike publicou nos jornais um anúncio lamentando - em tom otimista - a dolorosa desclassificação do Corinthians em mais uma Libertadores. O texto acima é um trecho da campanha. Um dos autores é, não por acaso, corintiano. A história de amor do publicitário João Linneu, 32 anos, com o time começou com um gesto simbólico: ele recebeu a camisa alvinegra de presente do avô, único corintiano da família. Quase duas décadas depois, coube a ele, diretor de arte da agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi, produzir o texto, em parceria com a redatora Mariana Borga, sem clube, e Fábio Brígido, também corintiano. “Foi o primeiro anúncio da minha vida que torci para que não fosse publicado”, conta João. Apesar de escrito com os dedos cruzados, o texto já estava preparado dias antes da primeira partida contra o Flamengo, para o caso de uma possível eliminação. De acordo com o publicitário, a ideia era mostrar a lealdade dos corintianos, independentemente do desempenho da equipe no campeonato.
Libertadores na vitrine
Tem cara de provocação com os corintianos. Uma réplica da Taça Libertadores da América conquistada pelo São Paulo em 2005 está exposta na entrada da SAO Reebok, uma loja de artigos licenciados do tricolor, no Shopping Ibirapuera. Inicialmente, tanto a Libertadores quanto a réplica da taça do Mundial eram exibidas na loja do Ibirapuera, mas o segundo troféu acabou emprestado para a filial do Center Norte, há seis meses. O rodízio das réplicas é comum entre as cinco lojas da rede. Provocação mesmo é uma camiseta com a silhueta da Libertadores em dourado. A camiseta (R$ 129) chegou aos cabides da SAO no dia seguinte à eliminação do Corinthians. Já é um dos produtos mais vendidos.
Para dar aos pobres
Estreou ontem, nos cinemas da cidade, o novo ‘Robin Hood’, de Ridley Scott, com Russell Crowe no papel principal. Na lenda inglesa medieval, o personagem roubava dos ricos para dar aos pobres. Além de ser o nome francês do herói, Robin Des Bois é um restaurante em Montreal, no Canadá, que virou assunto este mês.
O estabelecimento resolveu levar o nome ao pé da letra: passou a distribuir 100% do seu lucro para seis instituições beneficentes locais. Isso acabou inspirando voluntários que se ofereceram para se juntar à cozinha da casa e trabalhar de graça. Aberto em janeiro de 2008, em Pinheiros, o restaurante paulistano Robin Des Bois (Rua Capote Valente, 86, Pinheiros / 3063-2795) não pensa em imitar o ato solidário de seu homônimo. De acordo com o sócio-proprietário, Otávio França, sua casa é uma filial de um bistrô de Nova York (EUA), que tem pratos franceses e decoração digna de uma taverna medieval. Não tem nada a ver com os canadenses.
Traçando São Paulo
Pode parecer estranho, mas a rua na Mooca presta uma homenagem a um homem. O frei Gaspar da Madre de Deus (Gaspar Teixeira de Azevedo) nasceu em Santos (SP), em 1715, e morreu em 1800. Entrou para a ordem de São Bento, estudou na Bahia e graduou-se em 1740. Foi abade do Mosteiro do Rio de Janeiro de 1762 a 1769, mudando-se depois para o Mosteiro de Santos. É considerado um dos primeiros escritores paulistas. Fonte: www.dicionarioderuas.com.br
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